“Status é comprar coisas que você não quer, com o dinheiro que você não tem, a fim de mostrar para gente que você não gosta, uma pessoa que você não é.”

Geraldo Eustáquio de Souza

Nosso presidente Lula se sente autorizado a falar as maiores bobagens sem medo da repercussão de suas palavras. Geralmente, se faz uma comparação com o FHC, o presidente anterior, que teria uma aura de intelectualidade intransponível, e se atribui a Lula o papel de messias do povo brasileiro. Acho que algumas observações seriam interessantes.

Primeiro, herdamos dos nossos patrícios lusitanos (no nível inconsciente coletivo, obviamente) o sebastianismo, ou seja, faz 500 anos que estamos esperando D. Sebastião voltar da batalha de Alcácer-Quibir pra nos livrar das garras de España…. daí vem o nosso messianismo mórbido, que explica (mas não justifica) tantas voltas e reviravoltas na vida política do país.

Segundo, não fosse a percepção pública imediata da definitividade e do sucesso do Plano Real, muito incentivada (e promovida) pela mídia, diga-se de passagem, FHC talvez nem se reelegesse pra senador, isso numa época em que o Senado era muito melhor frequentado.

Terceiro, o argumento da governabilidade foi o mais usado pelo governo FHC não só pra se eleger na primeira e na segunda vez, como em todos os 8 anos de governo, inclusive na eleição de 2002, quando ele chamou Lula, Serra e Ciro lá no Planalto pra avalizarem um pacto de governabilidade de acordo com as regras do FMI que aliviaram o Brasil de mais uma quebradeira. Provavelmente, mesmo na pior crise econômica da história, o Lula vai passar o bastão pro sucessor com o FMI devendo pro Brasil, mas a mídia, convenientemente, omite isso, embora a massa ignara do povo perceba a diferença, ainda que no nível inconsciente, e isso apenas reforça a posição messiânica do Lula, o nosso D. Sebastião de plantão.

Quarto, Lula tem carisma pra consumo interno e externo, e carisma não se explica, apenas se percebe. Seríamos o país mais feliz do mundo se tanto o próprio Lula como os políticos soubessem aproveitar este carisma em prol do bem de todos, mas D. Sebastião não pode voltar da batalha, tem que desaparecer no deserto pra gente sempre ficar esperando o próximo messias por mais 500 anos. Em suma, a culpa é dos portugueses

Locutor esportivo na TV é garantia de bobagens em profusão. Eles deveriam se calar quando não conhecem o que estão falando. Ontem cedo, por exemplo, na transmissão da MotoGP, havia uma faixa que alguns torcedores levaram ao circuito com a expressão “Minkia Rossi”, e o locutor do Sportv (cujo nome não me recordo, felizmente) se saiu com o comentário de que, embora não entendesse o que significava “minkia”,  aquela frase devia servir de estímulo ao piloto e figurinha carimbada Valentino Rossi.

Mal sabe o estimulado locutor que “minkia” é uma maneira de reproduzir “educadamente” o palavrão (em dialeto siciliano) “minchia” que, no restante da Itália equivale ao popular “cazzo”, ou em espanhol “carajo”. Agora, se você ainda não descobriu o que significa isso em português, caramba, em que mundo você está?

“Da mesma forma que aquele orador, indagado qual seria o primeiro entre os preceitos da eloqüência, respondeu: a elocução; como o segundo: a elocução; também o terceiro: a elocução; assim, se me interrogas acerca dos preceitos da religião cristã, primeiro, segundo e terceiro, me agradaria responder sempre: a humildade.”

(Santo Agostinho, “Epístola 56. A Dióscoro”)

 

Os últimos resultados da seleção brasileira sob o comando do Dunga até que são engraçados… ou pelo menos revelam a hipocrisia tanto do técnico e dos jogadores, como da imprensa. Todo mundo fica tentando entender a razão pela qual a torcida brasileira está tão desanimada, crítica e pessimista com o nobre esporte bretão em terras tupiniquins. É até compreensível que a imprensa, mais preocupada em manter os seus suados empregos, tente desviar o foco do verdadeiro problema, que salta aos olhos quando se ouve o que o Gilberto, lateral-esquerdo, disse ontem, reclamando do fato da torcida mineira ter aplaudido o Messi. Sentindo-se cheio de razão, o aprendiz de lateral disse que os jogadores deixam família, lazer e tudo mais, e fazem uma sacrificante viagem da Europa ao 3º Mundo para dedicar-se a entreter a patuléia abaixo do Equador. Ora, se o vibrante jogador pensa isso mesmo, que está fazendo um favor a nós em vir jogar pelo Brasil nos trópicos, que não se abale, e fique por lá mesmo. Nós queremos jogadores que joguem por amor à camisa e não por favor à torcida. É justamente este o problema que a imprensa finge ignorar.

            Subscrevendo a Agostinho, assim escreve Bernardo: “Entre as criaturas, só o homem é livre; e todavia, em intervindo o pecado, até mesmo ele sofre certa pressão, mas da vontade, não da natureza, de sorte que realmente assim não se priva da liberdade ingênita. Ora, o que é da vontade, é também livre”[1]. E pouco depois: “Desse modo, não sei por que modo depravado e estranho, mudada pelo pecado, em verdade para pior, a própria vontade para si engendra a necessidade, de modo que nem a necessidade, uma vez que provenha da vontade, pode escusar a vontade, nem a vontade, uma vez que tenha sido seduzida, pode excluir a necessidade”. Pois esta necessidade é, de certa forma, produto da vontade. A seguir, diz que somos oprimidos por um jugo, contudo não outro jugo, senão certa servidão da vontade, razão por que somos miseráveis no tocante à servidão, indesculpáveis no que tange à vontade; assim a alma, de certa maneira estranha e deplorável, sob esta necessidade, há um tempo, decorrente da vontade e perniciosamente livre, afirma ser não só escrava, mas também livre: escrava, em função da necessidade; livre, em função da vontade; e, o que é mais estranho e mais deplorável: é culposa, por ser livre; e é escrava, por ser culposa; e, em decorrência disso, é escrava, quando é livre”[2].

(CALVINO, João. As Institutas. Edição Clássica. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2. ed. vol. 2, p. 64 – clique aqui para ler um excerto maior deste trecho)



[1] Bernardo de Claraval, “Sermão sobre Cântico dos Cânticos”, capítulo LXXXI, 7

[2] ibidem, capítulo LXXXI, 9

“Estejamos, pois, seguros de que nossa vida esteja plenamente conformada à vontade de Deus e às administrações da lei, quando resulta de ser ela proveitosa, de todas as formas possíveis, a nosso próximo. Com efeito, em toda a lei não se lê uma só sílaba que dite norma ao homem acerca daquelas coisas que tenha de fazer ou deixar de fazer para proveito de sua carne. E, obviamente, uma vez que os homens nasceram assim, os quais, inclinados mais do que o justo, são todos levados ao amor de si mesmos e, por mais que se afastem da verdade, sempre o retêm, nenhuma lei se fez necessária que inflamasse ainda mais esse amor, já de si imoderado. Pelo que é plenamente evidente que a observância dos mandamentos não é o amor por nós mesmos, mas o amor por Deus e pelo próximo, e que vive de maneira a mais nobre e a mais santa aquele que vive e luta por si o mínimo possível, e que ninguém, de fato, vive mais indignamente, nem mais iniquamente, que aquele que vive e luta apenas por si e cogita e busca somente o que lhe é do interesse.”

(CALVINO, João. As Institutas. Edição Clássica. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. Vol. 2, cap. VIII, p. 175)

        Balaão levantou-se pela manhã, pôs a sela sobre a sua jumenta e foi com os líderes de Moabe. Mas acendeu-se a ira de Deus quando ele foi, e o Anjo do SENHOR pôs-se no caminho para impedi-lo de prosseguir. Balaão ia montado em sua jumenta, e seus dois servos o acompanhavam. Quando a jumenta viu o Anjo do SENHOR parado no caminho, empunhando uma espada, saiu do caminho e foi-se pelo campo. Balaão bateu nela para fazê-la voltar ao caminho.

        Então o Anjo do SENHOR se pôs num caminho estreito entre duas vinhas, com muros dos dois lados. Quando a jumenta viu o Anjo do SENHOR, encostou-se no muro, apertando o pé de Balaão contra ele. Por isso ele bateu nela de novo.

        O Anjo do SENHOR foi adiante e se colocou num lugar estreito, onde não havia espaço para desviar-se, nem para a direita nem para a esquerda. Quando a jumenta viu o Anjo do SENHOR, deitou-se debaixo de Balaão. Acendeu-se a ira de Balaão, que bateu nela com uma vara. Então o SENHOR abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: “Que foi que eu lhe fiz, para você bater em mim três vezes?”

        Balaão respondeu à jumenta: “Você me fez de tolo! Quem dera eu tivesse uma espada na mão; eu a mataria agora mesmo”.

        Mas a jumenta disse a Balaão: “Não sou sua jumenta, que você sempre montou até o dia de hoje? Tenho eu o costume de fazer isso com você?”

        “Não”, disse ele.

        Então o SENHOR abriu os olhos de Balaão, e ele viu o Anjo do SENHOR parado no caminho, empunhando a sua espada. Então Balaão inclinou-se e prostrou-se, rosto em terra.

        E o Anjo do SENHOR lhe perguntou: “Por que você bateu três vezes em sua jumenta? Eu vim aqui para impedi-lo de prosseguir porque o seu caminho me desagrada. A jumenta me viu e se afastou de mim por três vezes. Se ela não se afastasse, certamente eu já o teria matado; mas a jumenta eu teria poupado”.

        Balaão disse ao Anjo do SENHOR: “Pequei. Não percebi que estavas parado no caminho para me impedires de prosseguir. Agora, se o que estou fazendo te desagrada, eu voltarei”.

        Então o Anjo do SENHOR disse a Balaão: “Vá com os homens, mas fale apenas o que eu lhe disser”. Assim Balaão foi com os príncipes de Balaque.

  (Números 22:21-35)

É interessante verificar que a igreja cristã, em suas origens, era reconhecida pelos sábios da época, como uma comunidade de “terapeutas”.Eusébio de Cesaréia, em seu livro “História Eclesiástica”, Editora Paulus, pág.93, livro este escrito por volta de 315 d.C., fundamental na compreensão do início da História Cristã, relata o testemunho do sábio Fílon a respeito dos primeiros cristãos, transcrito a seguir:

“Em primeiro lugar, no livro intitulado “A Vida Contemplativa” ou “Os Orantes”, Fílon assevera que nada haveria de aditar além da verdade ou inventar no que estava para narrar. Diz-se que eles se chamam “terapeutas” e as mulheres com que convivem, “terapêutidas”. Depois declara os motivos de tal denominação. Deriva do fato de que eles tratam das almas daqueles que os procuram e as curam, livrando-as, à semelhança dos médicos, dos sofrimentos provenientes da maldade. Ou então porque prestam à divindade adoração e culto castos e puros.Ademais, quer tenha ele próprio lhes dado este nome, muito adequado ao modo de vida desses homens, quer realmente asim tenham sido designados desde o início, quando o nome de cristãos não estava em uso em todos os lugares, torna-se ocioso estender-se sobre o assunto.”

É interessante perceber como a Igreja Cristã, com o passar dos séculos, foi perdendo esta sua característica inicial, de “comunidade terapêutica”, o lugar onde as pessoas encontravam a salvação espiritual, mas também tratavam livremente e eram curados dos seus problemas emocionais.Grandes lições do passado, temos que reaprendê-las!

Isaías 26
1Naquele dia se entoará este cântico na terra de Judá: uma cidade forte temos, a que Deus pôs a salvação por muros e antemuros.   
2Abri as portas, para que entre nela a nação justa, que observa a verdade.   
3Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti.   
4Confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna.   
5porque ele tem derrubado os que habitam no alto, na cidade elevada; abate-a, abate-a até o chão; e a reduz até o pó.   
6Pisam-na os pés, os pés dos pobres, e os passos dos necessitados.   
7O caminho do justo é plano; tu, que és reto, nivelas a sua vereda.   
8No caminho dos teus juízos, Senhor, temos esperado por ti; no teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma.   
9Minha alma te deseja de noite; sim, o meu espírito, dentro de mim, diligentemente te busca; porque, quando os teus juízos estão na terra, os moradores do mundo aprendem justiça.